Enunciação de Marca: Quem Fala Quando a Marca Fala

Enunciação de marca define sujeito, destinatário, tempo, espaço e regime de autoridade. De Benveniste a Greimas, e do caso Oatly a um método prático, este artigo mostra como transformar fala de marca em sistema reconhecível.

Quando a Oatly coloca no próprio ecossistema frases como "I don't like your ads" e apresenta sua história com a segurança de quem afirma ter criado a primeira grande empresa de bebida de aveia do mundo, ela faz mais do que ser espirituosa. Ela instala um locutor. O leitor reconhece uma inteligência que comenta a categoria, aceita atrito e transforma embalagem, site e campanha em superfície de fala. O efeito não nasce de um truque verbal isolado. Nasce de uma cena de enunciação consistente.

Toda marca fala. A questão estratégica começa um passo antes: quem fala quando a marca fala? A resposta usual ainda cai em atalhos pobres. Diz-se que a marca tem um tom, uma personalidade, um território, um manifesto. Tudo isso importa, mas chega tarde. Antes do tom há uma cena. Antes da personalidade há uma posição de sujeito. Antes do manifesto há um ato de enunciação que distribui papéis, define proximidade, regula a autoridade e instala um tempo e um espaço próprios. Sem essa camada, a comunicação pode soar polida e ainda assim deixar o leitor sem saber quem ocupa a palavra.

É por isso que enunciação de marca merece voltar ao centro da estratégia. Em Émile Benveniste, a enunciação é o ato individual que põe a língua em funcionamento. Em José Luiz Fiorin, ela organiza as categorias de pessoa, espaço e tempo que tornam o discurso legível como presença. Em Algirdas Julien Greimas, ela costura a passagem entre estruturas de valor e sua manifestação discursiva. Em Jean-Paul Petitimbert, a marca pode ser lida como um sistema que articula constantes de expressão e de conteúdo, programa papéis narrativos e ocupa posições de mercado. Em Ana Carolina Cortez Noronha, a análise enunciativa mostra como essas escolhas geram efeitos concretos de relação em ambientes digitais, onde a cena discursiva precisa se sustentar sob fluxo, resposta e contato contínuo.

Minha tese é simples e dura: marca forte nasce quando a empresa decide que voz pretende encenar, a quem essa voz convoca, de que lugar ela fala e quais traços precisam permanecer estáveis para que o público reconheça a mesma inteligência ao longo do tempo. Oatly virou um caso central por causa disso. Sua singularidade nunca dependeu só da aveia. O ganho veio quando a empresa transformou embalagem, site, campanha, manifesto, ativismo e humor em manifestações de um mesmo sujeito discursivo. Esse sujeito não descreve produto como quem preenche ficha técnica. Ele comenta, provoca, ironiza, pede cumplicidade, assume posição pública e faz o leitor perceber que há alguém ali, e não um texto de categoria.

O ponto interessa porque muitas marcas ainda tratam linguagem como acabamento. Definem portfólio, preço, distribuição e identidade visual; depois pedem ao copywriter para “dar voz”. O problema é estrutural. Voz não se acrescenta ao fim. Voz organiza desde o começo a forma como valor vira discurso, discurso vira experiência e experiência volta como prova. Quem lê a marca como inventário de ativos perde o que a mantém viva. Quem lê a marca como cena enunciativa consegue observar a gramática que sustenta permanência, tema que aprofundei em Sintagma e Paradigma de Marca.

Enunciação é o momento em que a marca deixa de ser empresa e passa a aparecer como sujeito

Benveniste oferece a base mais produtiva para esse problema. Ao afirmar que a enunciação põe a língua em funcionamento, ele desloca a análise do sistema abstrato para o ato concreto em que um sujeito assume a palavra. Esse gesto instala marcas de pessoa, espaço e tempo. Há um eu que fala, um tu que é convocado, um aqui a partir do qual a fala se ancora e um agora que organiza a urgência do enunciado. Em marca, essas categorias nunca são neutras. Quando uma consultoria escreve “nós”, ela precisa decidir se esse plural funciona como assinatura institucional, convite de parceria ou máscara para esconder responsabilidade. Quando um aplicativo fala com “você”, precisa escolher se cria proximidade, instrução, tutela ou serviço. Quando uma embalagem escreve em primeira pessoa, introduz um locutor que altera a experiência inteira de leitura.

Fiorin ajuda a tornar essa intuição mais operacional. Em As astúcias da enunciação e em seu artigo sobre enunciação e semiótica, ele mostra que pessoa, espaço e tempo não são adornos gramaticais. São mecanismos de produção de sentido. A marca, portanto, nunca comunica apenas um conteúdo; ela constrói um modo de presença. A distância entre enunciador e enunciatário pode ser íntima, protocolar, pedagógica, técnica, confessional, irônica ou ritual. O tempo pode aparecer como urgência, continuidade, recorrência, expectativa ou memória. O espaço pode ser doméstico, institucional, militante, premium, experimental. Cada combinação redefine a autoridade da fala.

Essa camada ganha nitidez extra quando se aproxima de Dominique Maingueneau. Sua noção de cena de enunciação e de ethos ajuda a entender por que voz de marca não se resume a traço de estilo. Toda fala pressupõe um palco, um modo de presença e uma imagem de quem tem legitimidade para dizer. Quando a empresa tenta soar próxima sem construir a cena que autoriza essa proximidade, o efeito parece postiço. Quando a cena está bem montada, até o silêncio e a pausa passam a funcionar como assinatura.

Greimas empurra a discussão para um plano ainda mais estratégico. Se a enunciação media a passagem das estruturas profundas para o discurso, então a voz da marca não pode ser pensada separadamente dos valores que a organizam. Há marcas cujo discurso manifesta uma busca por competência, outras por convivialidade, outras por confronto, outras por pureza, outras por distinção. O tom aparente é só a superfície. A pergunta relevante é qual estrutura de valores encontra, na cena enunciativa, sua forma de presença mais convincente. Quando o valor profundo aponta para emancipação e a voz materializada soa burocrática, algo se rompe. Quando o valor profundo aponta para rigor e a voz materializada busca intimidade forçada, a marca perde gravidade.

Petitimbert oferece uma ponte útil entre teoria semiótica e gestão de marca. Ao retomar os planos da linguagem, o esquema narrativo e o quadrado semiótico, ele lembra que a identidade da marca depende de constantes de expressão e de conteúdo. Em linguagem menos acadêmica, isso significa que uma marca reconhecível preserva certos traços formais e certos traços de visão de mundo. A expressão pode mudar de suporte. O conteúdo pode ganhar novas histórias. Ainda assim, o público encontra invariantes. É esse ponto que separa voz de improviso. Voz é sistema. Improviso é apenas estilo momentâneo.

Noronha reforça o valor dessa leitura ao mostrar que a análise enunciativa, aplicada ao discurso na internet, observa como escolhas de pessoa, espaço e tempo afetam a relação entre enunciador e enunciatário. Para marca, a consequência é direta. Site, social, CRM, atendimento, embalagem e liderança pública não são canais independentes. São cenas diferentes em que o mesmo sujeito precisa continuar reconhecível. Se cada ambiente projeta um enunciador distinto, o público percebe quebra de vínculo antes de formular a crítica. É aí que o sistema começa a falar em vozes incompatíveis, como discuti em Ruído Semiótico de Marca.

O que a teoria muda na prática

Quando a enunciação entra no centro do branding, três erros comuns ficam mais visíveis. O primeiro é confundir tom com sujeito. Tom é efeito de escolhas discursivas. Sujeito é a posição de onde essas escolhas se tornam plausíveis. O segundo é imaginar que proximidade nasce do uso de segunda pessoa, emojis ou frases curtas. Proximidade depende de licença relacional. Há marcas que podem falar com coloquialidade sem perder crédito e marcas que caem no constrangimento quando tentam o mesmo gesto. O terceiro é tratar coerência como repetição de frases. Coerência, em termos enunciativos, é repetição disciplinada da mesma cena de fala através de materiais diferentes.

Em termos metodológicos, isso significa observar pelo menos seis planos ao mesmo tempo:

Plano Pergunta Decisão estratégica
Sujeito Quem assume a palavra? Definir a posição de autoridade que a marca sustenta sem teatro.
Destinatário Quem é convocado por essa fala? Escolher o leitor implícito e o grau de repertório exigido.
Tempo Em que agora a marca fala? Determinar urgência, cadência e horizonte de promessa.
Espaço De que lugar essa voz fala? Definir se a cena é institucional, cotidiana, cultural, técnica ou militante.
Ritmo Como a fala se move? Estabelecer densidade, humor, extensão, pausa e pressão.
Prova O que na experiência confirma a fala? Alinhar produto, serviço, interface e liderança à mesma promessa enunciativa.

Oatly como caso de enunciação disciplinada

Oatly interessa porque entrou numa categoria que já possuía um idioma quase pronto. Marcas de leite vegetal costumavam falar a partir de um repertório funcional, nutricional e higienizado. O centro da fala estava em comparação, benefício, restrição alimentar e descrição de uso. Oatly escolheu outro caminho. Em vez de ocupar a posição discreta da marca que explica, montou um sujeito discursivo que comenta a categoria, brinca com seus próprios excessos, assume convicções ambientais e trata a embalagem como superfície editorial.

Esse movimento parece espontâneo quando visto de longe. Ele depende de decisões enunciativas muito precisas. A primeira é a definição do sujeito. Oatly fala como uma inteligência pública que acompanha cultura, conhece a categoria, tolera atrito e assume humor seco. A segunda é a definição do destinatário. A marca não se dirige apenas ao consumidor de dieta restritiva. Ela convoca um leitor urbano, informado, cansado da fala asséptica das grandes marcas e disposto a premiar uma empresa que parece pensar em voz alta. A terceira é a definição do espaço. Em vez de laboratório ou cozinha tradicional, surge uma cena cultural, quase jornalística em alguns momentos, em que o produto circula dentro de uma conversa maior sobre sistema alimentar, publicidade, consumo e responsabilidade.

Repare como isso aparece nos suportes. Nas embalagens, a superfície textual não serve só para informar ingredientes e uso. Ela encena raciocínio, pausa, comentário lateral, autoironia, gesto de assinatura. No site, a empresa prolonga esse mesmo sujeito por meio de textos extensos, perguntas respondidas sem linguagem corporativa e tomadas de posição que aceitam conflito. A própria apresentação institucional insiste em um tom afirmativo, quase manifesto, ao ligar missão, saúde e sistema alimentar numa mesma fala. Nas campanhas, a marca evita a postura neutra e prefere assumir que existe disputa simbólica em curso. O projeto 37 ads, por exemplo, transforma a limitação do meio em comentário sobre publicidade, e até acolhe a fricção em frases como "I don't get these ads". No comportamento público, a empresa mantém a ligação entre produto e tese, o que reduz a distância entre discurso comercial e voz institucional.

É tentador resumir isso como “tom de voz irreverente”. A leitura empobrece o fenômeno. Irreverência, sozinha, é traço estilístico. O que faz Oatly funcionar é a continuidade de sua cena de enunciação. A marca parece a mesma mente em embalagem, outdoor, relatório, entrevista e rede social. Esse é o ativo. O público reconhece o locutor antes de terminar a frase. E reconhecimento, em semiótica de marca, vale tanto quanto lembrança de slogan.

Há, claro, limites e custos. Uma voz marcada exige disciplina maior do que uma voz genérica. Qualquer desvio operacional salta aos olhos. Qualquer gesto oportunista parece mais grave. Qualquer acomodação de linguagem enfraquece a promessa central. Mesmo assim, o caso segue instrutivo. A companhia reportou receita de US$ 823,7 milhões em 2024, segundo seus resultados anuais divulgados em fevereiro de 2025. Tomado como sinal de escala, esse número mostra algo importante: uma voz fortemente marcada pode sobreviver ao crescimento, à pressão de margem e à escala internacional sem ser dissolvida em neutralidade. Quando a marca sabe o sujeito que quer instalar, a expansão encontra um eixo de continuidade.

Quem fala, afinal, quando a marca fala?

A resposta mais precisa é esta: fala um sujeito discursivo construído pela organização, validado pela experiência e reconhecido pelo público. Esse sujeito não coincide integralmente com o fundador, com o CEO, com o time de marketing nem com o manual. Ele é um efeito estável de múltiplas escolhas. Sua consistência depende de repetição, edição e sanção social. Cada vez que a marca publica, atende, vende, responde, erra ou repara, ela reafirma ou enfraquece esse sujeito.

Se a estratégia quiser operar com rigor, precisa responder a quatro perguntas antes de escrever qualquer guideline verbal. Qual valor profundo a marca quer tornar sensível? Qual papel narrativo ela decide assumir diante do público? Que coordenadas de pessoa, espaço e tempo tornam esse papel crível? Quais invariantes de expressão e conteúdo precisam permanecer em cada suporte para que a marca seja lida como a mesma presença? Esse encadeamento une Benveniste, Fiorin, Greimas e Petitimbert em uma sequência prática. Ele evita que o trabalho de linguagem se reduza a opinião de sala.

Há também uma quinta pergunta, muitas vezes ignorada: que tipo de vida essa voz promete fora do texto? Essa pergunta aproxima enunciação e conduta. Quando a marca instala uma voz exigente, provocadora, hospitaleira ou técnica, ela começa a desenhar uma forma de vida possível, assunto que desenvolvi em Forma de Vida de Marca. O discurso deixa de ser camada externa e passa a antecipar comportamento esperado. É nesse ponto que enunciação deixa de ser tema de linguagem e vira tema de governança.

Eric Landowski oferece um complemento útil aqui. Regimes de interação mudam a maneira como a marca se deixa ler e responder. Há cenas em que a voz pede adesão, outras em que pede ajustamento, outras em que convive com risco e improviso. Noronha mostra algo parecido ao observar o discurso na internet: a estabilidade do sujeito não dispensa adaptação de cena. Ela exige que a marca saiba variar o contato sem trocar de locutor.

Um método para construir enunciação de marca

O debate teórico só vale se virar método. Abaixo está um percurso em cinco movimentos. Ele foi pensado para criação de marca nova, reposicionamento ou revisão de discurso já existente.

1. Nomeie o sujeito antes de escolher o estilo

Escreva uma frase seca sobre quem assume a palavra. “Uma especialista pública que traduz complexidade sem paternalismo.” “Uma marca anfitriã que reduz fricção e orienta com calma.” “Uma insurgente cultural que tensiona a categoria e sustenta argumento.” A formulação precisa definir posição de autoridade, relação com conflito e grau de proximidade. Se a frase depende de cinco adjetivos vagos, ela ainda não está pronta.

2. Descreva o destinatário implícito com o mesmo rigor

Não basta listar faixa etária, classe ou segmento. O destinatário implícito é uma competência de leitura. Ele sabe o quê? Tolera qual densidade? Espera que a marca ensine, confirme, confronte ou simplifique? Oatly só funciona porque fala com um leitor que reconhece ironia, aceita comentário cultural e valoriza posicionamento público. Uma marca de saúde de alta complexidade, por exemplo, precisa de outra calibragem.

3. Defina as coordenadas enunciativas

Que pessoa verbal predomina? A marca fala em primeira pessoa plural, em primeira singular encenada, em segunda pessoa direta, em terceira institucional? Que tempo predomina? Presente contínuo, futuro de promessa, passado de linhagem, alternância entre agora e horizonte? Que espaço organiza a fala? Casa, rua, escritório, laboratório, estúdio, arena cultural? Essas coordenadas determinam o tipo de mundo em que a voz pode existir com credibilidade.

4. Fixe invariantes de expressão e conteúdo

Aqui entra a lição de Petitimbert. Liste o que precisa permanecer estável no plano da expressão e no plano do conteúdo. Expressão inclui cadência, extensão média, grau de explicitação, humor, densidade lexical, sintaxe, hierarquia visual, relação entre título e corpo, uso de silêncios e assinaturas. Conteúdo inclui valores defendidos, temas recorrentes, modo de construir prova, tipo de antagonista, promessa de transformação, limite do que a marca jamais dirá. Invariante não significa rigidez absoluta. Significa reconhecer o que pode variar sem destruir a identidade.

5. Traduza a voz em cenas reais

É aqui que muitos projetos colapsam. A equipe aprova um território verbal e esquece de testá-lo em oferta, onboarding, pós-venda, erro operacional, pedido de desculpas, apresentação comercial, FAQ e embalagem. Faça o contrário. Pegue a cena enunciativa definida e escreva oito ou dez peças de naturezas distintas. Depois observe se o mesmo sujeito continua de pé. Se desaparecer quando surge conflito, atendimento ou objeção de preço, a enunciação ainda é frágil.

O método pode ser resumido num teste simples: a marca continua reconhecível quando troca de suporte, quando responde sob pressão e quando precisa provar o que prometeu? Um resultado positivo indica que a cena de fala começou a ganhar densidade. Um resultado fraco revela voz ainda operando como exercício criativo, sem virar estrutura de marca.

Na prática, isso pede um ritual de auditoria. A cada trimestre, vale recolher dez peças muito diferentes, como post, landing page, proposta comercial, resposta de suporte, texto de embalagem e entrevista de liderança, e perguntar se todas parecem produzidas pela mesma inteligência. O exercício mede permanência de sujeito ao longo de superfícies diferentes. Quando a resposta se dispersa, o problema raramente está na redação isolada; ele quase sempre aponta falta de acordo sobre autoridade, destinatário e limite de fala. Enunciação bem definida reduz retrabalho porque oferece critério antes da execução. Em vez de discutir gosto pessoal em toda entrega, o time passa a julgar aderência à cena que decidiu sustentar.

O que muda para estrategistas, planners e times de criação

Adotar enunciação como ferramenta central melhora a qualidade do trabalho porque traz critério para decisões subjetivas, reduz o custo de cada campanha começar do zero e aproxima linguagem de gestão. Enunciação não é tema restrito ao branding verbal. Ela exige que design, produto, atendimento, liderança e comunicação aceitem trabalhar como manifestações de um mesmo locutor. Se a liderança pública contradiz a voz editorial, se o atendimento nega o regime de relação prometido, se a embalagem parece escrita por outra empresa, a estrutura se rompe.

Em última instância, enunciação de marca é disciplina de presença. Ela responde à pergunta que quase todo posicionamento deixa implícita: quem se apresenta diante de mim quando encontro esta marca no mundo? Se a resposta muda demais, a marca dispersa. Se a resposta se estabiliza, cada peça deixa de começar do zero. O território fica mais nítido, a memória encontra apoio e a conduta pode se tornar continuação natural do discurso.

Quem fala quando a marca fala? Fala a cena que a estratégia decidiu construir, a operação conseguiu confirmar e o público passou a reconhecer como legítima. Todo o resto é ruído.

Referências

  • Bakhtin, Mikhail. Speech Genres and Other Late Essays. University of Texas Press, 1986.
  • Benveniste, Émile. Problems in General Linguistics. University of Miami Press, 1971.
  • Benveniste, Émile. Problèmes de linguistique générale, vol. 2. Gallimard, 1974.
  • Fiorin, José Luiz. As astúcias da enunciação. Ática, 2002.
  • Fiorin, José Luiz. “Two concepts of enunciation.” Estudos Semióticos, 2020.
  • Fontanille, Jacques. Semiótica do discurso. Contexto, 2007.
  • Greimas, A. J. “A enunciação: uma postura epistemológica.” Significação, 1974.
  • Greimas, A. J.; Courtés, Joseph. Dicionário de Semiótica. Cultrix, 1979.
  • Landowski, Eric. Interações arriscadas. Estação das Letras e Cores, 2014.
  • Maingueneau, Dominique. L'ethos en analyse du discours. Academia, 2022.
  • Noronha, Ana Carolina Cortez. “Semiótica, enunciação e o discurso na internet: a experiência de ensino de um curso on-line.” Estudos Linguísticos, 2021.
  • Oatly. “Oatly who?” 2026. Disponível em: oatly.com.
  • Oatly. “Here are 37 different Oatly ads we wanted to run in Minor League Baseball stadiums...” 2026. Disponível em: oatly.com.
  • Oatly Group AB. “Oatly Reports Fourth Quarter and Full Year 2024 Financial Results.” 12 fev. 2025.
  • Petitimbert, Jean-Paul. “A semiótica da marca.” Galáxia, 2023.
  • Semprini, Andrea. La marque, une puissance fragile. Vuibert, 1995.

When Oatly places lines like "I don't like your ads" inside its own media ecosystem and presents itself with the certainty of the world's original oat drink company, it is doing more than being witty. It is installing a speaker. The reader recognizes an intelligence that comments on the category, accepts friction, and turns packaging, website, and campaign into surfaces of speech. The effect does not come from a single clever line. It comes from a consistent enunciative scene.

Every brand speaks. The strategic question starts one step earlier: who speaks when the brand speaks? The usual answer still relies on shortcuts. People say the brand has a tone, a personality, a territory, a manifesto. All of that matters, yet it arrives late. Before tone there is a scene. Before personality there is a subject position. Before the manifesto there is an act of enunciation that distributes roles, defines proximity, regulates authority, and installs its own time and space. Without that layer, communication may sound polished and still leave the reader unsure about who is taking the floor.

That is why brand enunciation deserves to return to the center of strategy. In Émile Benveniste, enunciation is the individual act that puts language into operation. In José Luiz Fiorin, it organizes the categories of person, space, and time that make discourse readable as presence. In Algirdas Julien Greimas, it stitches together the move from value structures to discursive manifestation. In Jean-Paul Petitimbert, the brand can be read as a system that articulates constants of expression and content, programs narrative roles, and occupies market positions. In Ana Carolina Cortez Noronha, enunciative analysis shows how these choices create concrete relational effects in digital environments, where the discursive scene has to hold under flow, response, and ongoing contact.

My claim is direct: a strong brand appears when the company decides what voice it intends to stage, whom that voice summons, from what place it speaks, and which traits need to remain stable so people can recognize the same intelligence over time. Oatly became a central case because of this. Its singularity never depended on oats alone. The gain came when the company turned packaging, website, campaign, manifesto, activism, and humor into manifestations of one discursive subject. That subject does not describe product like a technical sheet. It comments, provokes, mocks, asks for complicity, takes public positions, and lets the reader feel that someone is there, rather than a category text.

The point matters because many brands still treat language as finishing work. They define portfolio, price, distribution, and visual identity; then they ask a copywriter to “give it a voice.” The problem is structural. Voice is not added at the end. Voice organizes from the start the way value turns into discourse, discourse turns into experience, and experience returns as proof. Anyone who reads the brand as an inventory of assets misses what keeps it alive. Anyone who reads the brand as an enunciative scene can observe the grammar that sustains continuity, a theme I explored in Brand Syntagm and Paradigm.

Enunciation is the moment when the brand stops being a company and starts appearing as a subject

Benveniste offers the most productive base for this problem. When he argues that enunciation puts language into operation, he shifts analysis from the abstract system to the concrete act in which a subject takes the floor. That gesture installs marks of person, space, and time. There is an I who speaks, a you who is called in, a here from which the speech is anchored, and a now that organizes the urgency of the statement. In branding, these categories are never neutral. When a consultancy writes “we,” it has to decide whether that plural works as institutional signature, partnership invitation, or a mask that hides responsibility. When an app speaks to “you,” it has to choose whether it creates proximity, instruction, tutelage, or service. When packaging writes in a staged first person, it introduces a speaker that changes the entire reading experience.

Fiorin helps make that intuition more operational. In As astúcias da enunciação and in his article on enunciation and semiotics, he shows that person, space, and time are not grammatical ornaments. They are mechanisms of meaning production. A brand, then, never communicates content alone; it constructs a mode of presence. The distance between enunciator and enunciatee may be intimate, procedural, pedagogical, technical, confessional, ironic, or ritual. Time may appear as urgency, continuity, recurrence, expectation, or memory. Space may be domestic, institutional, militant, premium, experimental. Each combination redefines the authority of the speech.

This layer becomes even clearer when brought close to Dominique Maingueneau. His notion of the scene of enunciation and of ethos helps explain why brand voice cannot be reduced to a stylistic trait. Every statement presupposes a stage, a mode of presence, and an image of who has legitimacy to speak. When a company tries to sound close without building the scene that authorizes closeness, the effect feels manufactured. When the scene is well built, even silence and pause start working as signature.

Greimas pushes the discussion into an even more strategic plane. If enunciation mediates the move from deep structures to discourse, then brand voice cannot be conceived apart from the values that organize it. Some brands manifest a search for competence, others for conviviality, others for confrontation, others for purity, others for distinction. Apparent tone is surface. The relevant question is which value structure finds, in the enunciative scene, its most convincing form of presence. When the deep value points to emancipation and the materialized voice sounds bureaucratic, something breaks. When the deep value points to rigor and the materialized voice reaches for forced intimacy, the brand loses gravity.

Petitimbert provides a useful bridge between semiotic theory and brand management. By revisiting the planes of language, the narrative schema, and the semiotic square, he reminds us that brand identity depends on constants of expression and content. In less academic language, a recognizable brand preserves certain formal traits and certain worldview traits. Expression may change support. Content may gain new stories. Even so, people still encounter invariants. That is what separates voice from improvisation. Voice is a system. Improvisation is momentary style.

Noronha reinforces the value of this reading by showing that enunciative analysis, applied to internet discourse, observes how choices of person, space, and time affect the relation between enunciator and enunciatee. For brands, the consequence is direct. Website, social, CRM, service, packaging, and public leadership are not independent channels. They are different scenes in which the same subject has to remain recognizable. If each environment projects a different enunciator, people sense a broken bond before they turn it into criticism. That is where the system starts speaking in incompatible voices, as I argued in Semiotic Noise in Branding.

What theory changes in practice

When enunciation moves to the center of branding, three common mistakes become easier to spot. The first is confusing tone with subject. Tone is an effect of discursive choices. Subject is the position from which those choices become plausible. The second is imagining that proximity comes from second person, emojis, or short sentences. Proximity depends on relational license. Some brands can speak colloquially without losing credit, while others slide into embarrassment when they attempt the same move. The third is treating coherence as repetition of lines. In enunciative terms, coherence is the disciplined repetition of the same speaking scene through different materials.

In methodological terms, that means observing at least six planes at once:

Plane Question Strategic decision
Subject Who takes the floor? Define the authority position the brand can sustain without theater.
Addressee Who is called by that speech? Choose the implied reader and the degree of repertoire required.
Time From what now does the brand speak? Determine urgency, cadence, and promise horizon.
Space From what place does that voice speak? Define whether the scene is institutional, everyday, cultural, technical, or militant.
Rhythm How does the speech move? Establish density, humor, length, pause, and pressure.
Proof What in the experience confirms the speech? Align product, service, interface, and leadership with the same enunciative promise.

Oatly as a case of disciplined enunciation

Oatly matters because it entered a category that already had an almost ready-made language. Plant milk brands often spoke from a functional, nutritional, sanitized repertoire. The center of speech lived in comparison, benefit, restriction, and usage description. Oatly chose another route. Instead of occupying the discreet role of the brand that explains, it assembled a discursive subject that comments on the category, plays with its own excesses, assumes environmental convictions, and treats packaging as editorial surface.

That move looks spontaneous from a distance. It depends on very precise enunciative decisions. The first is the definition of the subject. Oatly speaks like a public intelligence that follows culture, knows the category, tolerates friction, and sustains dry humor. The second is the definition of the addressee. The brand does not address only the consumer with dietary restriction. It calls in an urban, informed reader who is tired of sterile category language and willing to reward a company that seems to think out loud. The third is the definition of space. Instead of laboratory or traditional kitchen, a cultural scene appears, close at times to journalism, where the product circulates inside a larger conversation about food systems, advertising, consumption, and responsibility.

Notice how this appears across supports. On packaging, textual surface does more than report ingredients and usage. It stages reasoning, pause, side commentary, self-irony, and signature gesture. On the website, the company prolongs that same subject through long-form copy, questions answered without corporate speech, and positions that accept conflict. Its institutional presentation keeps a manifesto-like certainty by linking mission, health, and food-system critique inside one speech. In campaigns, the brand avoids neutrality and prefers to assume that a symbolic dispute is underway. The 37 ads project turns media limitation into commentary on advertising itself and even absorbs friction through lines like "I don't get these ads". In public behavior, the company keeps product and thesis connected, which reduces the distance between commercial discourse and institutional voice.

It is tempting to reduce that to an “irreverent tone of voice.” That reading shrinks the phenomenon. Irreverence on its own is a stylistic trait. What makes Oatly work is the continuity of its enunciative scene. The brand feels like the same mind in packaging, outdoor, report, interview, and social post. That is the asset. People recognize the speaker before the sentence ends. In brand semiotics, that recognition matters as much as slogan recall.

There are limits and costs, of course. A marked voice demands more discipline than a generic one. Any operational deviation becomes visible. Any opportunistic move looks more serious. Any accommodation of language weakens the central promise. Even so, the case remains instructive. The company reported US$ 823.7 million in revenue in 2024, according to the annual results released in February 2025. That figure does not prove direct causality between enunciation and revenue, yet it shows something important: a strongly marked voice can survive growth, margin pressure, and international scale without dissolving into neutrality. When a brand knows the subject it wants to install, expansion finds an axis of continuity.

Who speaks, then, when the brand speaks?

The most precise answer is this: a discursive subject built by the organization, validated by experience, and recognized by the public speaks. That subject exceeds the founder, the CEO, the marketing team, and the manual. It emerges as a stable effect of multiple choices. Its consistency depends on repetition, editing, and social sanction. Every time the brand publishes, serves, sells, answers, fails, or repairs, it reinforces or weakens that subject.

If strategy wants to operate with rigor, it needs to answer four questions before writing any verbal guideline. What deep value does the brand want to make sensible? What narrative role does it decide to assume before the public? Which coordinates of person, space, and time make that role credible? Which invariants of expression and content need to remain across supports so the brand is read as the same presence? That chain joins Benveniste, Fiorin, Greimas, and Petitimbert in a practical sequence. It prevents language work from collapsing into room opinion.

There is also a fifth question, often ignored: what kind of life does that voice promise outside the text? That question brings enunciation close to conduct. When the brand installs a demanding, provocative, hospitable, or technical voice, it begins to sketch a possible form of life, an issue I developed in Brand Form of Life. Discourse stops being outer layer and starts anticipating expected behavior. At that point enunciation stops being a language topic and becomes a governance topic.

Eric Landowski adds a useful complement here. Interaction regimes change the way a brand makes itself readable and answerable. Some scenes ask for adherence, others for adjustment, others live with risk and improvisation. Noronha shows something similar in internet discourse: stability of subject does not remove the need for scene adaptation. It requires the brand to vary contact without switching speakers.

A method for building brand enunciation

Theoretical debate matters only if it becomes method. Below is a five-part path designed for a new brand, a repositioning effort, or a revision of an existing discourse.

1. Name the subject before choosing style

Write a dry sentence about who takes the floor. “A public specialist that translates complexity without paternalism.” “A host brand that lowers friction and guides calmly.” “A cultural insurgent that puts pressure on the category and can hold an argument.” The sentence needs to define authority position, relation to conflict, and degree of proximity. If it depends on five vague adjectives, it is not ready yet.

2. Describe the implied addressee with equal rigor

It is not enough to list age range, class, or segment. The implied addressee is a reading competence. What does this person know? What density can this person tolerate? Does the brand teach, confirm, confront, or simplify? Oatly works because it speaks to a reader who recognizes irony, accepts cultural commentary, and values public positioning. A high-complexity health brand, for instance, needs another calibration.

3. Define the enunciative coordinates

Which verbal person dominates? Does the brand speak in first person plural, staged first singular, direct second person, institutional third person? Which tense dominates? Continuous present, future of promise, past of lineage, oscillation between now and horizon? Which space organizes the speech? Home, street, office, lab, studio, cultural arena? These coordinates determine the kind of world in which the voice can exist credibly.

4. Fix invariants of expression and content

This is where Petitimbert becomes especially useful. List what must remain stable on the plane of expression and on the plane of content. Expression includes cadence, average length, degree of explicitness, humor, lexical density, syntax, visual hierarchy, relation between headline and body, use of silence, and signature gestures. Content includes defended values, recurrent themes, way of building proof, type of antagonist, transformation promise, and the limit of what the brand will never say. Invariant does not mean absolute rigidity. It means knowing what can vary without destroying identity.

5. Translate the voice into real scenes

This is where many projects collapse. The team approves a verbal territory and forgets to test it in offer pages, onboarding, after-sales, operational error, apology, sales deck, FAQ, and packaging. Do the opposite. Take the defined enunciative scene and write eight or ten pieces of different kinds. Then observe whether the same subject still stands. If it disappears when conflict, service, or price objection appears, enunciation is still weak.

The method can be reduced to a simple test: does the brand remain recognizable when the support changes, when it answers under pressure, and when it has to prove what it promised? A positive result shows that the speaking scene is gaining density. A weak result reveals voice still operating as a creative exercise rather than as brand structure.

In practice, this requires an audit ritual. Once a quarter, gather ten very different pieces, including a post, a landing page, a sales deck, a support reply, packaging copy, an executive interview, an FAQ, a recruitment page, an investor note, and an apology message, and ask whether all of them feel authored by the same intelligence. The exercise measures persistence of subject across different surfaces. When that perception breaks, the issue rarely lives in isolated copy. It usually points to unresolved choices about authority, addressee, and limits of speech. A well-built enunciative system lowers revision cost because it gives teams a criterion before execution begins. Agencies, founders, writers, designers, and service teams can disagree about tactics while still protecting the same speaker. That matters even more in multilingual or multi-market expansion, where translation pressure often flattens the very signals that made the brand recognizable in the first place. A durable enunciative brief preserves identity without forcing every line into identical wording across channels, contexts, and teams safely.

What changes for strategists, planners, and creative teams

Using enunciation as a central tool improves work quality because it brings criteria to subjective decisions, reduces the waste caused by every campaign starting from zero, and brings language closer to management. Enunciation is not restricted to verbal branding. It requires design, product, service, leadership, and communication to work as manifestations of one speaker. If public leadership contradicts the editorial voice, if service denies the promised relation regime, if packaging looks written by another company, the structure breaks.

At the deepest level, brand enunciation is a discipline of presence. It answers the question almost every positioning leaves implicit: who presents itself before me when I meet this brand in the world? If the answer shifts too much, the brand disperses. If the answer stabilizes, each piece stops starting from zero. Territory becomes clearer, memory finds support, and conduct can become the natural continuation of discourse.

Who speaks when the brand speaks? The scene strategy chose to build, operation managed to confirm, and the public came to recognize as legitimate speaks. Everything else is noise.

References

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